Glenda Muzenda
Em abril de 2009, encontrava‑me profundamente envolvida nos preparativos da campanha de sensibilização para a igualdade de tratamento entre homens e mulheres, durante as eleições presidenciais, na África do Sul. Era crucial levar a mensagem às mulheres dos meios rurais e capacitá‑las quanto ao seu direito ao voto, tendo em conta o historial de apartheid e também para garantir que as mulheres consigam fazer-se ouvir. Foi nesta altura que recebi um email informando‑me de que tinha sido selecionada para receber uma bolsa para frequentar o curso.
Gostaria de partilhar a minha experiência sob a perspetiva de uma mulher sul-africana. A organização para a qual trabalho, Gender and Media Southern Africa (GEMSA), centra‑se na sensibilização para as questões de género, VIH e SIDA em 12 países. A África do Sul é um dos poucos países da África Subsariana que tem consciência da necessidade de haver mulheres a desempenhar papéis de liderança. As mulheres nestas posições elevam as suas vozes em nome das que não podem falar e exigem mudança. Agora, eu estava a ser chamada para, através do curso de sensibilização para a questão da igualdade de tratamento entre homens e mulheres (Gender Awareness 101), elevar a minha voz e para me capacitar para a mudança.
À medida que o curso decorria, tornou‑se claro que a minha experiência na África do Sul era comum a alguns participantes. Tornámo‑nos uma aldeia global com muitas semelhanças: falta de sensibilidade do governo quanto a dotação orçamental para a integração da dimensão de género; ineficácia da ajuda, agendas dominadas por doadores; inexistência de alinhamento de sinergias entre as partes interessadas e as estratégias de gestão de fundos, etc.
No projeto que me encontro a desenvolver neste momento, uma campanha de sensibilização para a prestação de cuidados não remunerada (Making Care work Count: Unpaid Work Campaign), dei por mim a basear‑me nos instrumentos para a elaboração de orçamentos sensíveis à integração da dimensão de género. As mulheres envolvidas no projeto são heroínas anónimas, no trabalho que realizam nas respetivas comunidades, cuidando de pessoas afetadas e que vivem com VIH e SIDA. As mulheres fazem tudo isto sem apoio do governo e, no entanto, constituem 90% dos prestadores de cuidados na África do Sul. A investigação que realizei para este projeto foi divulgada na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), em agosto de 2009, com recomendações aos governos para que implementassem, urgentemente, a integração da dimensão de género na elaboração dos orçamentos. Aprendi isto durante o curso sobre a forma como os orçamentos devem focar‑se nos beneficiários em situação de necessidade, o que tem sido crucial para o êxito do nosso projeto e é também importante para sensibilizar os decisores políticos para estas questões.
O fator do triplo M, como lhe chamo – planeamento a nível Micro, Médio e Macro – foi outro aspeto valioso do curso, em termos de gestão dos fundos dos doadores, em especial considerando a recessão económica global em que nos encontramos. Está na ordem do dia planificar, executar e traçar estratégias de projetos.
Esta experiência de aprendizagem foi excelente e gostaria de expressar a minha gratidão para com os meus formadores, os meus colegas participantes e para com a UE, por uma aprendizagem tão aprazível. E despeço‑me, mas só por agora, com a seguinte citação: «A mudança não acontece simplesmente. Coletivamente, fazemos com que aconteça.» Anónimo.
